sexta-feira, 4 de julho de 2008

Capítulo 5 - Urros, gemidos e sussurros

Um dia, lá pelas tres horas da tarde, entrei em casa, e ouvi roncos, urros, gemidos e sussurros que vinham do quarto dos meus pais. Meu coração disparou. Mas uma curiosidade inexplicável tomou conta de mim e me fez caminhar, pé ante pé, até chegar mais perto daquele som estranho. A porta estava entreaberta, então, eu fiquei ali parada, estarrecida, sem conseguir me mexer, diante de uma cena grotesca e incompreensível para uma menina ainda tão pequena: eu vi o corpo de meu pai, nu e coberto de pelos, deitado sobre minha mãe, também nua, embora eu não pudesse vê-la direito. Ele fazia um movimento estranho com os quadris, como se quisesse amassá-la em cima da cama, e ela, por baixo dele, apenas gemia. Eu não sabia o que eles estavam fazendo, e a primeira impressão foi de que ele  estava tentando estrangulá-la, pois suas mãos pareciam apertar o pescoço dela. Mas ela gemia de um jeito estranho, que não era de dor. Então, eu não entendi nada, mas intui que, pelo menos naquele dia, eles podiam estar fazendo algo muito esquisito, mas, com certeza, não estavam brigando. Dei meia volta, e corri para o quintal, antes que eles me vissem e, das duas, uma: resolvessem me bater, ou sei lá, me envolver naquela coisa macabra-prazerosa que estavam fazendo...eu, hem? Pernas prá que te quero, vazei...